domingo, 1 de novembro de 2015
Sobre animais empalhados
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Sistemas operacionais, amor e realidade
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Desabafo
terça-feira, 1 de novembro de 2011
"O diabo na rua, no meio do redemoinho"
Termino com uma música de Gil Scott, que a cada vez que a escuto, me joga de volta para esse universo incompreensível:
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Os olhos de Cesare Battisti
A reportagem começa narrando o lugar onde se deu a entrevista: na praia, em uma mesa de plástico de um quiosque à beira mar. Em seguida, o dia-a-dia do italiano é apresentado. Diferente do que chamaríamos de uma rotina de "curtição" para alguém que está em liberdade, a reportagem conta como ele passa o dia inteiro caminhando pelas areias desertas da praia carioca nos dias de céu cinzento. Joga pedras no mar e brinca com um garoto de nove anos que deu ao seu amigo mais velho o apelido de "piradinho". Quando pergutado se continua a escrever e a ler ele responde simplesmente que não, muito raramente. "Passei quatro anos fazendo isso quando estava preso. Agora quero cozinhar". Cozinhar? De preferência ao som de um blues e preparando um peixe recém pescado que ele teve o prazer de escolher a dedo em um mercado a céu aberto. Ao narrar, parece até poético, mas a simplicidade da tarefa não deixou de me martelar a cabeça. "Por que não ir a um restaurante com um blues ao vivo, como os numerosos barzinhos de jazz que temos na altura da Paulista em São Paulo?" Porque a liberdade é simples. Liberdade é poder viver com o gosto que esquecemos de saborear a cada segundo que passa. Ir a pé ao trabalho assobiando, ou poder tomar uma ducha quente num sábado de manhã após uma noite romântica com a namorada. Simples, mas idescretívelmente livre. Battisti teve que ser preso para entender o que isso significa. Nunca olhei em seus olhos, mas tenho certeza de que eles carregam essa certeza.
sábado, 18 de junho de 2011
Um vagão chamado mundo
Ao descer, deixei a indefesa para trás, mas a sua inocente ingenuidade me acompanhou. "E nós, onde estamos?", acabei me perguntando. Acho que no fundo, não somos tão diferentes dela. Quem somos, para onde vamos, de onde viemos? Eis que a Terra se transformou em um grande vagão. Nesse instante, senti uma gratidão imensa por ser ignorante. Um grande presente, uma dádiva que nos faz acordar a cada dia e ir à luta - construir nossas teias, lutar para transformar este mundo, este grande metrô em um lugar melhor.

domingo, 29 de maio de 2011
Teia
Enfim, o que quero compartilhar é que o livro coloca uma forte crítica a uma visão que defendi por muito tempo, de que as coisas carregam em si um sentido intrínseco que nos cabe enxergar, descobrir. Muito bonita mas pouco realista. Comecei a perceber isso conforme fui crescendo e vi a luta de cada um de nós, dia-a-dia, na busca de um sentido para este mundo. Essa questão no livro assume seu ápice na morte de um personagem; tema forte, mas que não chega a ser apelativo quando colocado pelas palavras de Exupéry. Quando é que começamos a sentir a perda de alguém? Aos poucos, quando percebemos que a dor não vem do fato em si, da morte, mas da teia de relações que deixam de fazer sentido para nós - o retrato na parede, o escritório vazio, o cachimbo que nunca mais deixou o criado mudo... São os sentidos que estão atrelados a cada um. Um sentido muito mais produzido do que intrínseco à cada objeto. E nesse processo criativo, nos tornamos então espécies de deuses, com o poder de dar sentido àquilo que tocamos, que criamos e que amamos? Não. Mas ao menos nos traz uma tranquilidade interior muito grande; não precisamos necessariamente nos tornarmos pessoas divinas que dizem compreender o sentido da vida para sermos alguém pleno interiormente. Somos todos humanos, cheios de sentidos, de relações; um ecossistema de dependências, causas e consequências. Mas ao mesmo tempo não somos livres de responsabilidades. Criar não se limita a produzir, mas a impulsionar essa grande teia para frente, que é a humanidade.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Divagando, quase me esqueci do que queria dizer. Acordei meio filósofo, não foi o que eu disse? Pois é, sinto que o mundo não está aí gratuitamente. Estamos tão mergulhados em nossos deveres que posicionamos tudo ao redor de nossos umbigos. Isso é muito triste, mas se chama homem moderno. Eu sou um homem moderno, sem dúvida, mas essa manhã eu fui criatura por algumas horas. E como isso é bom! É perceber que nossa agenda não é a coisa mais importante neste século. Dar-se a chance de observar cada detalhe como se atrás daquele rotineiro objeto houvesse um segredo esperando para ser espiado.
Quero repetir a todos que o mundo não está aí gratuitamente. Ele está aí para ser observado e nos ensinar. Lembrar a cada um a sua condição de criatura e fazer dela uma chance de colocarmos nossas intensas tarefas diárias ao nível da humildade. Ser humilde é a melhor coisa que podemos fazer para nossos egos.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
A lição de Adão
Minha querida, o mundo sozinho é um lugar estranho. O céu fofo de antes ficou tão longe, as estrelas mornas se tornaram passado morto e o mais pesado é saber que aqueles que amamos precisam um dia partir. Como você.
Tudo se tornou perecível, passageiro; acho que não vale à pena amar, muito menos o meu amor por você! Não entendo, por que me abandonou? Sou amaldiçoado por amar? É isso? Prefiro ser uma pedra então, antes isso a ter o peito sempre gélido!"
Meu nome é Adão. Escrevi isso a um tempo atrás. Eu mudei, mas o mundo acredito que não, porque está forrado de pessoas como eu fora: Adão sem Eva, sem alma. Por isso, quero dizer a todos algumas coisas:
-O tempo mostra que o céu permanecerá distante pelo infinito enquanto Eva estiver longe. E esse infinito significa até onde demoramos para entender que ela não fugiu, mas que nos deu a liberdade. Eva está em tudo aquilo que conseguirmos amar.
-Amar não significa se sentir bem, nem completo. Amar é fazer-se de instrumento para que o outro possa se sentir bem e a nossa plenitude é simples consequência disso. Se um dia se sentir infeliz é porque não está amando de fato.
-Eva nos amou e continua a nos amar.
-E para terminar, saibam que tudo perece realmente, mas não para tornar nosso esfoço vão, e sim para que aprendamos a dar valor a tudo.
À minha família, ao pessoal do Centro Sumaré e a todos que me apoiaram em tempos difíceis.
sábado, 18 de abril de 2009
Bom dia!
Entretanto, aos recém completados 21 anos de idade, posso dizer que só isso não me basta. Não me basta porque percebi a engenhosidade da coisa: trabalhar, missão cumprida e lá vem denovo a necessidade de uma nova meta. É a depressiva pergunta "até onde isso vai durar?!". Depressiva porque a rotina nos enfadonha; a mim e a todo ser humano deste planeta.
O que falta é perceber a real regra do jogo: a felicidade não é tão manipulável como imaginamos. É humildade para aceitar o fato de que a vida é para ser vivida. Não como o carpe diem propõe, mas reconhecendo nossos limites. É parar para simplesmente notar como uma simples noite estrelada pode nos fazer feliz. E ela está lá em cima sempre! Da mesma forma com que a vida inteira se extende diante de nós e nos diz: "lhe darei o maior presente de todos, a chance de acordar a cada manhã". E do acordar criamos a chance de fazer diferente, a criatividade para tornar cada dia único e deixar que o amor, com suas carícias e dores, nos diga o que é felicidade, não que nossos objetivos mesquinhos o façam.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Mão invisível, um BigMc por favor
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Em busca de um conceito para "existência"
"Penso logo existo". A máxima de Descartes sempre me pareceu muito lógica; lógica porque acreditamos ter um conceito forte do signifiado de existir. Mas percebi que esse conceito infelizmente não passa de intuição. Colocar um "ok" em Descartes exige, portanto, nos perguntarmos primeiramente o que entendemos por "existir".
O desmoronamento começa no momento em que tentamos definir a existência de algo simplesmente analisando se ele ocupa um lugar no espaço e no tempo. Cometemos um grave erro: nossa cosciência é atirada à lata lixo (até onde eu saiba nenhum necrotério conseguiu abrir a cabeça de alguém e achar a dita cuja). Pois é, o que antes parecia tão claro se torna um verdadeiro enigma, não temos certeza sobre a existência das coisas!
A solução que encontrei seria quebrar a existência em dois conceitos:
1. Existência física: algo existe fisicamente se ele ocupa lugar no espaço. Por que não no tempo? Para mim não há uma separação entre tempo e espaço. Simplesmente porque não conseguimos imaginar nada que ocupe apenas lugar no tempo. Esse grupo agrupa o universo que conhecemos e nosso corpo físico.
2. Existência consciente: algo existe se dele estamos cientes. Para mim esse segundo conceito nos fornece um segundo mundo semelhante àquele proposto por Platão com o mundo das idéias. Esse conceito dá existência à nossa consciência (pois estamos cientes sobre nós mesmos) e a muitas outros exemplos que aparentemente poderiam apontar para o anonimato. O zero por exemplo, não existe fisicamente mas em consciência ele existe sim, tanto que o utilizamos largamente na matemática (o mesmo vale para o infinito); Deus, uma ética universal e assim por diante. É um mundo bem à parte, mas que sempre esteve presente guiando e auxiliando o ser humano.
Essa idéia está bem imatura, mas por isso mesmo coloquei ela na linha de fogo. Particularmente gostei muito de alguns resultados que ela nos dá. Pretendo amadurecê-los o publicá-los. Claro, há muitos buracos mas são justamente eles que fazem a idéia se desenvolver. Se for preciso, irei alterar a segunda definição ou então voltar à prancheta e buscar novamente alguma definição única.
sábado, 4 de outubro de 2008
Borghesi e o niilismo otimista
Borghesi identificou de uma maneira espetacular o problema depressivo do homem moderno: o niilismo otimista, como ele chamou.
Para niilismo otimista o mundo em si não possui objetivo; até ai nada de novo, mas o que ele identificou perfeitamente foi a substituição dessa falta de objetivo por um mundo ilusório, capaz de confortar o homem moderno da angústia que advém dessa carência. Todo o significado de vida passa então a ser subjetivo e é dada bandeira branca para o ego subir ao palanque e gritar: "sou capaz de guiar a mim mesmo. Meu objetivo de vida é meu e o mundo nada tem a ver com isso".
Nunca antes foi tão cômodo pensar dessa forma como nos dias de hoje. Vivemos repletos de tecnologias capazes de criar essa pseudo realidade confortável o suficiente para sustentar esse triste modo de pensar. Particularmente, acho que a trilogia Matrix faz uma ótima comparação com o niilismo otimista. Trocamos o objetivo de vida, que Neo após despertar teve que carregar, pelo comodismo da parafernalha tecnológica moderna, os prazeres de matrix. Da mesma forma que no filme, as pessoas simplesmente ignoram a existência de um sentido de vida e acomodam-se neste mundo que a burguesia é capaz de sustentar. Eis o porquê de nossos ícones estarem limitados a grandes executivos bilhonários e artistas que levam uma vida de carpe diem perfeita. É a falta de para onde caminhar! E no cenário dessa falta nos afogamos em comodismos que, pela própria natureza vã do fim neles mesmos, trás a angústia do homem moderno. Somos carentes de ícones, de motivos, de pés que saibam para onde andar. Sofremos e não sabemos o motivo, ou melhor, ignoramos os motivos, até que 50 anos de nossas vidas passem e percebamos a falsa realidade que criamos ao nosso redor e a sua capacidade limitada de nos fornecer apenas falsa felicidade.
domingo, 6 de julho de 2008
O amor como caminho de vida
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Plenitude
Acho isso muito bonito, mas não posso deixar de observar que, mesmo diante de tantas belas obras feitas pelo homem, no fundo não sabemos amar verdadeiramente."Amo-te não por quem és, mas sim por quem sou quando estou contigo", disse Gabriel José Garcia Marquez. Vejo nessas palavras o erro que temos cometido: o modo como amamos busca antes de tudo a felicidade pessoal e todos os belos resultados que disso conquistamos não passam de simples conseqüências. Acredito que houve uma inversão na ordem desses acontecimentos, o grande responsável pelo falso sentido de vida na busca insaciável por serotonina e cia.
Os gregos já haviam percebido essa falha quando enquadraram o amor verdadeiro na procura do belo (no sentido amplo que eles desenvolveram), do bom. Mas eu me arrisco a ir além, em dizer que amar verdadeiramente é compreender a dualidade que rege nossas vidas. Perceber que se existe o sofrimento é para que a alegria também possa existir, se existe o mal é para que o bem também exista e assim por diante. É respeitar essa Lei e aceitá-la, é dizer "em tudo dai graças", lutar para defender a vida que se exprime em cada canto do desejável e do indesejável. Nas palavras de Fernando Pessoa, é perceber a insolidez do que temos por bom ou por mau, como o Tejo que é o "mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia". É captar o brilho constante que tudo emana e agir não em prol da conseqüência, mas do objetivo que é viver e defender toda essa vida.
O resultado disso é uma felicidade a qual quero dar um outro nome: plenitude.
domingo, 13 de abril de 2008
Redenção
Este mundo não está abandonado ao acaso, disso podemos ter a maior certeza a cada nova descoberta da ciência. Vivemos em meio a causas e efeitos. Causas e efeitos que, para muitos, acabam por se tornar uma prisão, um destino incontornável.Diante disso, as religiões nos trazem diversos caminhos para a conquista da liberdade, como a vida após a morte e a fuga do círculo de reencarnação e morte. Mas onde entramos nesse processo? Qual é a capacidade que temos para mudar esse destino incontornável?
Na busca pela resposta, achei muito pertinente um trecho do livro "Sidarta" de Hermann Hesse. Ele faz parte de um diálogo entre Sidarta e Buda:
domingo, 30 de março de 2008
Perda do sentido da forma

http://www.youtube.com/watch?v=r4sDp_1brFg&feature=related
Fica claro que os dançarinos se reduzem a apenas corpo; a consciência e mesmo a emotividade deles estão muito distantes do palco. Para mensurar esta distância, é interessante citar a influência que um estudo sobre os movimentos que uma "galinha" realizava após ter sido decepada tem sobre a dança. Diante disso, surge a "perda do sentido da forma" que Giovanni Reale comentou em seu livro"O Saber dos Antigos - Terapia para os dias atuais". Para ele, a forma não passa de um reflexo do que o interior dos objetos reserva, ela não existe por si, não caminha por si, não tem significado se não o de refletir a verdadeira beleza. E lembra que, disso, Platão já tinha plena consciência quando escreveu que "a beleza física representa apenas o grau mais exterior e mais baixo da própria beleza. A verdadeira beleza é a interior (...) a verdadeira beleza, a divina, não está no cormpo mas na alma, e é esta que é realmente preciosa".
Mas não é só a arte que tem abandonado o sentido da forma, através do distanciamento das idéias aos objetos pela super valorização da abstração; mas também a própria visão de amor. Não que seja errado amar aquilo que é belo exteriormente; aliás, deve-se buscar essa qualidade pois ela também faz parte do que é plenamente belo, mas, justamente, quando amamos buscamos essa beleza completa, que parece ter sido esquecida. Basta assistir a uns 15 minutos de novela para se evidenciar isso.Para mim, a perda do sentido da forma na arte é apena a pontinha do iceberg do falso amar.Maiores informações sobre o Butoh:
domingo, 9 de março de 2008
O gosto do vivo

domingo, 2 de março de 2008
Motivos
"Para compreender o homem e suas necessidades, para conhecê-lo no que ele tem de essencial não é preciso opor, umas às outras, as evidências de vossas verdades. Sim, vós tendes razão. A lógica demonstra tudo. Tem razão mesmo aquele que lança todoas as desgraças do mundo sobre os corcundas. Se declaramos guerra aos corcundas logo aprenderemos a nos exaltar. Vingaremos os crimes dos corcundas. E certamente os corcundas também comentem crimes.
É preciso, para tentar distinguir o essencial, esquecer por um momento as diviões que, uma vez admitidas, arrastam todo um Alcorão de verdades intocáveis, e o fanatismo conseqüente. Podem-se classificiar os homens em homens da direita e homens da esquerda, em corcundas e não corcundas, em fascistas e democratas, e essas distinções são inatacáveis. Mas a verdade, vós o sabeis, é o que simplifica o mundo, e não o que gera o caos. A verdade é a linguagem que exprime o universal. Newton não "descobriu" uma lei que estivesse durante muito tempo dissimulada, como a solução de uma charada. Newton efetuou uma operação criadora. Fundou uma linguagem de homem que pode exprimir a queda da maçã na terra e a ascençsão do sol. A verade não é o que se demonstra, é o que simplicifca.
De nada vale discutir ideologias. Se todas se demonstram, todas também se opõem, e tais discussões fazem desesperar da salvação do homem. Isso quando o homem, em toda parte, ao redor de nós expõe as mesmas necessidades.
Queremos ser libertados. O que dá uma exadada no chã quer saber o sentido dessa enxadada. E a enxadada do forçado (prisioneiro), que humilha o forçado, não é a mesma enxadada do lavrador, que exalta o lavrador. A prisão não está ali onde se trabalho com a enxada. Não há o horror material. A prisão está ali, onde o trabalho da enxada não tem sentido, não liga quem o faz à comunidade dos homens.
E nós queremos fugirda prisão."
E quem não quer? Pena que muitos acabam se contentando com a situação quando olham o corcunda ao lado, preso em sua solitária. Todo o podre deste mundo é culpa dele, e eis que a nossa jaula se converte em um paraíso. Até quando?



