sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Quero fazer um minuto de silêncio...

Não pelas crianças famintas na África,
Ou por um Tibet livre,
Ou pela barata que matei hoje de manhã

Apenas quero um pouco de silêncio,
Um egoísta minuto de silêncio!
Elevar minha mediocre indiferença ao máximo
esquecer o mundo
e fazer um minuto de silêncio por mim...

permitir-me sofrer sem culpa,
mandar tudo à merda e continuar imaculado

um único minuto
convertido em 2000 anos de história, agora esquecida
violentada por mim com um único mesquinho e tentador objetivo:
abandonar a sua memória
na solidão desse momento...


Li o comment do meu grande amigo Guto e sentime-me tentado a mexer no que chamei de "e o vento levou". Ao tentar reeditar o texto, pude notar como o momento molda as palavras. O que faço nos tópicos "Blá blá blá's" é apenas tentar transmitir oq estou sentindo a cada dia. Não somos agendas de hormônios que estaõ programadas para serem felizes na segunda, tristes na terça, rizonhas na quarta, etc. Somos um aglomerados de fatos que convergem para um sentimento diferente a cada segundo. Triste aqueles que não percebem isso e passam a vida inteira buscando apenas a "divina felicidade". Pobres pq nunca a alcançarão de fato....

Guto, um abraço.

Àqueles cujo nome não me lembro.

Quer pisar em mim?
Pise
Mas pise direito

Transforme-me em cacos,
Meus cacos em migalhas,
Minhas migalhas em pó

Porque deles tiro a minha força
Colo, junto, reergo-me

Para oferecer-lhe a outra face?
Não!
Para apagar a sua existência
com um sorriso de desprezo.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

E o vento levou

Quero fazer um minuto de silêncio...

Não, nada de mal aconteceu
Apenas quero um pouco de silêncio,

e fazer dele uma chance,
abandonar a sua memória
na solidão desse momento

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Hoje, enquanto ia comprar a janta do dia, enfrentei um grande dilema:

Logo na entrada do supermercado um maço de cenouras sem agrotóxicos chamou-me ao canto e disse: "coma cenoura, faz bem para a pele e para os olhos"
mas não demorou muito para o Couple Noodles revidar; deu um berro lá da sessão onde fica o povo industrializado: "mas eu demoro só três minutos pra ficar pronto!"

E agente dizendo que sabe bem pra onde vai...
Desmentidos por uma prateleira de supermercado!

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Koenjihyakkei



A banda japonesa Koenjihyakkei possui um rock caótico (gênero chamado "zeuhl") esbanjando no vocal peculiar e no inusitado. É o mesmo estilo que a banda francesa "Magma" segue (tem um post aqui sobre eles). Acho eles geniais e o baterista arrasa!
Não é uma música muito "digestiva" para a maioria, mas espero uma mente aberta por parte daqueles que ainda não o conhecem.

"I'm probably going out on a limb here, but from my vantage point, this is not only the most brilliant of all of contemporary Japanese bands, but perhaps the greatest group currently operating in the world." -Alternative Press




sábado, 26 de julho de 2008

Divina atrocidade

Minhas pálpebras?
Cortei-as fora
para que a vida nunca mais se esconda de mim

sim,
eternalizei cada um de seus belos segundos....
e o que me sobraram foram apenas lágrimas
para poder chorar por eles

domingo, 6 de julho de 2008

O amor como caminho de vida


Sempre pensei que o amor fosse o guia definitivo do homem, aquilo que nos leva ao que é necessariamente bom - aqui, o amor não se restringe apenas à relação homem-mulher, que fique claro. Há vários motivos para isso; podemos ir desde aqueles com um sentido mais metafísico até os construídos de forma lógica. Entretanto, veremos mais à frente que ambos são erguidos em suposições falsas.


Ao lembrar que se chegamos a Deus (ou a qualquer outro Fim cujo nome varia de acordo com a religião) através do amor, então basta ter confiança naquilo que nosso coração diz, numa linguagem um pouco romântica, e nosso caminho estará correto. O mesmo se aplica à lógica de que uma pessoa não amará aquilo que a prejudica e, portanto, o que não é bom. Generalizando: amar é buscar a Verdade, correto? Parcialmente.

O responsável por essa falsa conclusão é supor que o amor é único. Na verdade, existem vários tipos de amor e é em apenas um deles que podemos fundamentar o nosso caminho de vida. Para se perceber isso basta olhar para os presídios. As pessoas que ali estão não praticaram boas ações, mas nem por isso podemos dizer que não amam. Podemos, isso sim, dizer que não amam verdadeiramente.


Para entender melhor o porquê disso é preciso perceber que se algo é de fato bom ele o deve ser para todos. Assim, o amor se divide entre o universal (verdadeiro) e o individual (falso).


A história está repleta de exemplos. O Nazismo é um dos maiores. Certamente Hitler não era um ser único que não amava, mas sim alguém com uma noção errada do que é amar. A raça germânica era a única que merecia seus olhos, todas as demais deveriam sofrer as conseqüências desse monofoco; uma visão jamais universal e, portanto, descomprometida com o que é Verdadeiro. Os resultados falam por si.


O grande problema que vejo é que, mesmo com tantos fatos que clamam pelo nosso aprendizado, continuamos a agir de forma não universal, ou egocêntrica para ser mais simplista. Vivemos em uma sociedade tarada pelo umbigo; desde crianças a motivação está em provar para todos que somos/seremos o orgulho encarnado. A felicidade depende do status, o caminho de vida está no status e o falso amar nunca antes pareceu tão verdadeiro. Resultado: o que vemos infelizmente não são pessoas plenas, mas asilos deprês, quarentões com a famosa crise do "agora não tem volta" e grandes referências de felicidade terminando suas carreiras no suicídio. Não é pessimismo, são fatos.


Assim, proponho trocarmos o atual caminho de vida baseado em sermos alguém por um outro baseado no tornar todos alguém; trocar o amor falso pelo verdadeiro, universal. E dessa forma transformar a história numa exposição de fatos que tragam orgulho à humanidade.

Termino com um trecho bíblico: 1 Coríntios 13

"A excelência do amor

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como o sino que soa, ou como o símbalo que retine. Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência. mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, não sou nada. Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada valeria!
O amor é paciente, o amor é bondoso. Não tem inveja. O amor não é orgulhoso. Não é arrogante. Nem escandaloso. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê tudo suporta.
O amor jamais acabará. As profecias desaparecerão, o dom das línguas cessará, o dom da ciência findará. A nossa ciência é parcial, a nossa profecia é imperfeita. Quando chegar o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá."