sábado, 8 de novembro de 2008
Sacrifício
pela cegueira de meus passos
A lâmina corre,
corre guiada pela fragilidade de meu corpo
a procura de algo sólido
É a incompreensão que a faca quer
É a ingratidão que o seu gume procura,
Não o grito de dor
Mas a serenidade do imaculado
A solidez do diamante que a vida colocou dentro de mim
E no silêncio que antecede o brilho no olhar
é possível ler:
"Turvos são nossos olhos"
escrito em sangue para os tolos
em vermelho púrpura para os anjos
sábado, 11 de outubro de 2008
King Crimson - Starless
Confesso que demorei para entender a música... é o tipo de música que não é para ser ouvida, é para ser entendida. Para mim, a música tenta fazer uma limpeza; nos coloca de frente com agonia, remorso, amores não correspondidos, tudo! Para depois explodi-los, mandá-los à merda e dizer: a vida é muito maior do que essas coisas.
Indescritível...
Boomp3.com
Discografia:
http://users.utu.fi/petolo/crimson.html
Descrição da banda segundo a Wikipedia:
Os King Crimson são um grupo musical inglês formado pelo guitarrista Robert Fripp e pelo baterista Michael Giles em 1969. O estilo musical da banda costuma ser categorizado como rock progressivo, mas a sua sonoridade carrega vários estilos, como jazz, música erudita, new wave, heavy metal e folk.
O nome King Crimson foi sugerido por Peter Sinfield, sendo um sinónimo de Belzebu, princípe dos demónios. De acordo com Fripp, Belzebu seria uma forma ocidentalizada da frase árabe "B'il Sabab.", significando "o homem com um objectivo", apesar de muitos sugerirem que a palavra vêm do hebraíco Ba'al-z'bub, "senhor das moscas".
Uma parte considerável da história dos Crimson consiste nas várias mudanças que foram ocorrendo na banda ao longo dos anos, sendo Robert Fripp o único elemento consistente do grupo, embora ele diga que não se considera o líder, e que para ele os King Crimson são “uma forma de fazer coisas”,[1] e a consistência musical que tem persistido ao longo da história da banda, apesar da rotação dos seus membros, demonstra bem este ponto de vista.
Passarinho
Cantava a mesma música e depois ia embora.
Passei muito tempo sem entendê-lo.
Perdoe-me, passarinho
era a rotina que engolia a sua canção
e eu não percebia,
mas mesmo assim você retornava ritualisticamente
como se tivesse algo muito importante para me dizer,
como se eu fosse seu propósito de vida
e eu não percebia
Passarinho querido, perdoe-me por nunca antes ter te escutado!
Obrigado por ter acreditado em mim,
por ter insistido em mim,
Obrigado por me mostrar que o dia NASCE
por me trazer sempre uma nova música, mesmo sabendo que eu não
Você era o parteiro de cada manhã
Pai da existência que se renova
e eu não percebia...
Não percebia como a vida é virgem a cada segundo!
Todos os dias ainda olho para a janela.
Mas o passarinho nunca mais voltou
Acho que existem muitos Rodrigos pelo mundo que ainda não sabem
porque você ama todos eles...
Passarinho!
...
obrigado
sábado, 4 de outubro de 2008
Borghesi e o niilismo otimista
Borghesi identificou de uma maneira espetacular o problema depressivo do homem moderno: o niilismo otimista, como ele chamou.
Para niilismo otimista o mundo em si não possui objetivo; até ai nada de novo, mas o que ele identificou perfeitamente foi a substituição dessa falta de objetivo por um mundo ilusório, capaz de confortar o homem moderno da angústia que advém dessa carência. Todo o significado de vida passa então a ser subjetivo e é dada bandeira branca para o ego subir ao palanque e gritar: "sou capaz de guiar a mim mesmo. Meu objetivo de vida é meu e o mundo nada tem a ver com isso".
Nunca antes foi tão cômodo pensar dessa forma como nos dias de hoje. Vivemos repletos de tecnologias capazes de criar essa pseudo realidade confortável o suficiente para sustentar esse triste modo de pensar. Particularmente, acho que a trilogia Matrix faz uma ótima comparação com o niilismo otimista. Trocamos o objetivo de vida, que Neo após despertar teve que carregar, pelo comodismo da parafernalha tecnológica moderna, os prazeres de matrix. Da mesma forma que no filme, as pessoas simplesmente ignoram a existência de um sentido de vida e acomodam-se neste mundo que a burguesia é capaz de sustentar. Eis o porquê de nossos ícones estarem limitados a grandes executivos bilhonários e artistas que levam uma vida de carpe diem perfeita. É a falta de para onde caminhar! E no cenário dessa falta nos afogamos em comodismos que, pela própria natureza vã do fim neles mesmos, trás a angústia do homem moderno. Somos carentes de ícones, de motivos, de pés que saibam para onde andar. Sofremos e não sabemos o motivo, ou melhor, ignoramos os motivos, até que 50 anos de nossas vidas passem e percebamos a falsa realidade que criamos ao nosso redor e a sua capacidade limitada de nos fornecer apenas falsa felicidade.
Trois Couleurs Bleu
A belíssima trilha sonora pertence a outro mestre: Zbigniew Preisner.
Emilio Locurcio
O album possui cinco faixas, duas delas com uma duração média de 12 e 15 min. Emilio extrai música da sonoridade do idioma italiano, o que, na minha opinião, fez melhor do que qualquer outra banda italiana.
Aqui vai o primeiro trecho da faixa "La veglia".
domingo, 21 de setembro de 2008
O sabor dos morangos
supostamente ando. Procurando o sentido das pedras que carrego em meus sapatos, procurando o sentido do sol que brilha lá no alto e me diz que sou diferente da poeira que junto no meu casaco abarrotado. Sim, sou diferente, sou poeira cósmica consciente; almaldiçoada ou santificada com a capacidade de perceber-se a si mesma.
Anos-luzes de vagos olhares. Vagos diante do infinito, mas repletos de vontade, de sede para enchê-los novamente e terem o direito de brilharem. De enxergar em cada ramo retorcido a vontade de viver
Explodo em agonia e contemplação...
Sou pequeno mas vivo! Vivo e sei que vivo.
Não sei o que o momento representa para a beleza, mas ela está lá, pequena e gigantesca ao mesmo tempo. É o paradoxo do objetivo sem fim, do caminho fim em si mesmo, do ego que sabe-se inexistente.
Os morangos têm gosto, mas não sabem disso.
Eu não tenho gosto, mas sei que os morangos têm gosto; não para mim, mas porque eles brilham também.
Onde está o meu gosto? Dissolvido no paladar que o procura. Atrás da pedra no sapato que me cutuca e me lembra que também existo.
Sou você, morango! Meu gosto está contigo.
Sou você, pedra! Minha insignificância está contigo.
Sou você, universo! Estou contigo.
Acordar a cada dia e, sem saber porque, desfrutar o motivo que tudo permeia. Lutar para defendê-lo, abraçar o infinito que nos esmaga e dizer: "eu te amo!"
"Clara manhã, obrigado. O Essencial é viver"
Um muito obrigado ao meu amigo Henrique Elfes
