segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O amor de nossas vidas

"They say when you meet
the love of your life, time stops.

And that's true.

What they don't tell you
is that once time starts again...
...it moves extra fast to catch up." - Do filme Big Fish.

Acho que é o preço de poder amar.
Nascemos e conosco vem o tempo, pesado tributo.
Mas a vida nos é tão cara; o tempo quase que não nos alcança. E quando o faz, sentamos juntos e damos as mão, como a semente que quer voar o mais longe possível, mas que uma hora também precisa deitar-se no chão. Não para morrer, mas para entregar ao mundo o seu objetivo.

O amor pariu o tempo para que possamos viver e dele tirar o nosso objetivo. E o amor de nossas vidas é ela própria, simples assim.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Custo

       Era comum acordar sem que o despertador precisasse se manifestar. Às vezes várias horas o separavam do dia, às vezes eram apenas alguns minutos; mas o fato era que seus sonos nunca mais foram, como é de costume dizer, "profundos". Essa indesejável rotina perdurou por praticamente dois anos... O estranho era que ele não a percebia, e todas as manhãs eram como reflexos de insônias em si singulares. Insônias que, estranhamente, também passavam despercebidas juntas com os jornais que se amontoavam na soleira da porta. Era porque o mundo tinha parado de girar; a única coisa que ainda girava eram seus pensamentos - e como giravam!
       Fazia do tempo que antecedia a sirene do dia o seu confidente; tudo aquilo que se seguisse era esquecimento. De fato, era uma espécie aminésia involuntária como a depressão que se abatia sobre seus órgãos indefesos. Os olhos estavam inchados e os dedos fracos, mas quem mais sofria era o coração, esmagado por uma pressão que julgava ser mais profunda do que aquela existente nos fundos dos oceanos esquecidos. Abraçava seu travesseiro como se fosse a única coisa realmente tangível naquele mundo. E podia permanecer assim por horas a fio sem que a força que lhe aplicava cedesse ou o fatigasse. Agarrava-o como um alpinista agarra a rocha que o prende à vida. Não sentia seus braços, apenas o aperto que fazia seu pulso correr com dificuldade e sua respiração arfar.
        Era paixão que o condenava. Não a paixão em si, mas o que o destino reservou a ela: uma morte jovem. Triste como a morte que se abate ao passarinho que está aprendendo a voar. Pesada. Sempre foi uma pessoa romântica, por isso tinha os ombros mais vergados do que aqueles que deveria ter. Por isso também o copo de whisky era mais fundo, a TV mais entediante e o tempo mais incompreensível. Tão incompreensível que um dia resolveu pôr um fim àquilo que parecia ser interminável.
        Agora o calendário fazia sentido e era possível contar os tais dois anos que se abateram. A pressão tinha sumido.
        Tinha sumido.
               Tinha sumido...

        Sua alma também sumiu. Nunca mais tivera insônia, pressão, olhos inchados, respiração ofegante, nada. Mas também nunca mais a felicidade voltou a seu peito. Olhava para as pedras e para as flores como se fossem irmãs. O mendigo naõ lhe causava mais piedade, o bebê ternura e o sol calor. Seu peito agora era vácuo; sem pressão, sem calor, sem coração.

        A custo ele acabará de descobrir que aquilo que antes condenara era sim uma dádiva: era sentimento!

        Tudo é passageiro. Como diria Mário Quintana:

        "(...)Eles passarão.
        Eu passarinho!"

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Mão invisível, um BigMc por favor

No centro do redemoinho, é inevitável abrir o jornal e se deparar com várias matérias a respeito da tão falada crise econômica. Nos trinta minutos que tenho de break, entre as garfadas que deposito na marmita, sempre acabo lendo algo; não com o intuito de me meter a economista, mas simplesmente porque quero praticar meu inglês. E nesse lack de objetividade, pela primeira vez um artigo conseguiu arrancar o garfo da minha mão para colocá-la sob o meu queixo. Não se trata de um plano revolucionário para resolver nossos problemas, não, mas leva à reflexão. O artigo era mais ou menos o seguinte:

Depois de Newton, todas as ciências tentaram acomodar-se na noção mecanicista de mundo. A economia não foi uma exceção: a mão invisível dizia que poderia haver alguns passos para fora do caminho, mas de forma geral ela garantia que a humanidade caminhava racionalmente para o progresso. O liberalismo teve seu lugar na história para mostrar isso. Entretanto, atualmente essa teoria não explica o que presenciamos. Não pode haver um número tão grande de pessoas, se assim posso dizer, "burras" capazes de desviar o percurso dos passos para a crise. E qual foi a explicação do colunista americano? As pessoas pensam diferente. Não somos um cérebro gigante e altruísta que tenta buscar a evolução, como o liberalismo acreditava; somos sim mentes egocêntricas, preocupadas em desviar a estória inteira se necessário para que possamos comer um BigMc. O capitalismo é a encarnação desse modo de viver e nossa sociedade, agora chamada de globalizada, nunca antes pareceu tão cofinada. Pois é, a lei da selva é olho por olho, dente por dente. 

Será que estamos presenciando o início de uma drástica mudança? Ou será apenas a repercussão de uma era que acaba de ter início? Não sei, apenas posso garantir que o mundo não está disposto a cruzar os braços e esperar que simplesmente nos cansemos de sermos mimados. Ou crescemos e encaramos o mundo com olhos abertos para ele ou então continuamos olhando apenas para nossas panças Mc fartas e esquecemos que existe um mundo além de nossos umbigos.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Em busca de um conceito para "existência"

Tentando sair um pouco da inatividade, aqui vão algumas idéias que estive matutando durante um tempo:



"Penso logo existo". A máxima de Descartes sempre me pareceu muito lógica; lógica porque acreditamos ter um conceito forte do signifiado de existir. Mas percebi que esse conceito infelizmente não passa de intuição. Colocar um "ok" em Descartes exige, portanto, nos perguntarmos primeiramente o que entendemos por "existir".

O desmoronamento começa no momento em que tentamos definir a existência de algo simplesmente analisando se ele ocupa um lugar no espaço e no tempo. Cometemos um grave erro: nossa cosciência é atirada à lata lixo (até onde eu saiba nenhum necrotério conseguiu abrir a cabeça de alguém e achar a dita cuja). Pois é, o que antes parecia tão claro se torna um verdadeiro enigma, não temos certeza sobre a existência das coisas!

A solução que encontrei seria quebrar a existência em dois conceitos:

1. Existência física: algo existe fisicamente se ele ocupa lugar no espaço. Por que não no tempo? Para mim não há uma separação entre tempo e espaço. Simplesmente porque não conseguimos imaginar nada que ocupe apenas lugar no tempo. Esse grupo agrupa o universo que conhecemos e nosso corpo físico.

2. Existência consciente: algo existe se dele estamos cientes. Para mim esse segundo conceito nos fornece um segundo mundo semelhante àquele proposto por Platão com o mundo das idéias. Esse conceito dá existência à nossa consciência (pois estamos cientes sobre nós mesmos) e a muitas outros exemplos que aparentemente poderiam apontar para o anonimato. O zero por exemplo, não existe fisicamente mas em consciência ele existe sim, tanto que o utilizamos largamente na matemática (o mesmo vale para o infinito); Deus, uma ética universal e assim por diante. É um mundo bem à parte, mas que sempre esteve presente guiando e auxiliando o ser humano.

Essa idéia está bem imatura, mas por isso mesmo coloquei ela na linha de fogo. Particularmente gostei muito de alguns resultados que ela nos dá. Pretendo amadurecê-los o publicá-los. Claro, há muitos buracos mas são justamente eles que fazem a idéia se desenvolver. Se for preciso, irei alterar a segunda definição ou então voltar à prancheta e buscar novamente alguma definição única.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Nova era

Não sei qual o pecado que cometi.
Dou aos homens um sentido para suas vidas,
beleza para este mundo
e no entanto, fazem-me prisioneiro.
Prisioneiro de seus peitos que me obrigam a bater calado.
Por isso, peço ao silêncio para ser meu testemunho.
Escuta então, silêncio, o meu desabafo:

Sofro da doença mais bela deste mundo: vontade de viver.
quero voar,
quero sorrir sem motivo
e gritar sem medo "eu te amo!",
mas não posso,
porque o peito dos homens me abafa
abafa meus sonhos
e cada palpitada que dou morre no anonimato.

Não sou coração,
sou esquecimento no mundo dos homens.
Amo, mas não me ouvem!
e não me deixam amar...

Mas eu sou forte,
esquecem-se que a minha doença chama-se vontade de viver!
Por isso, infinito como todos os sonhos que guardo dentro de mim,
faço uso de cada infinita felicidade que eles carregam
para invocar a explosão do peito que me prende!
E esse peito, esse peito não é feito de carne e osso
ele é feito de mesquinhez, egoísmo, falsidade, raiva;
de pessoas que esqueceram o que é amar.

Agora que estou livre, abandono a minha condição de mudez
e peço à indiferença o silêncio que ela sempre me negou.
Ouça o que o cárcere cultivou em mim:

A partir deste instante
torno os segundos santos!
Nunca mais eles morrerão sem terem sido notados
A partir deste instante
peço aos olhos a onipresença da beleza
e proibo os namorados de não beijarem as testas de seus
[companheiros
A partir deste instante
proclamo o sorriso como uma linguagem universal
e declaro que uma nova era começa,
a era dos corações livres.

É o novo peito que se forma,
que deixa a condição de aperto para sentir-se aquecido,
pois o coração pode finalmente bater,
bater não só por um, mas pelo mundo inteiro.
porque após a prisão, a liberdade se torna mais livre.

Dedico esse "blá blá blá" a todos que me apoiaram em tempos difíceis. Em especial a minha família e o pessoal do Centro Universitário do Sumaré.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O dia em que descobri o infinito

Hoje descobri que o infinito mora dentro de mim
De uma forma triste, mas descobri...
Descobri que só me movo porque ele existe,
que só me sinto porque ele existe
que só me chamo Rodrigo porque ele existe...

Mas no fundo, descobri também que ele existe porque eu existo
[também

Acho que,
O infinito é como o meu coração.
Ele bate
não sei se para mim, mas ele bate.
24 horas por dia, sem saber porque, mas ele bate
e graças a isso estou vivo

O infinito também.
Sua presença me fornece tudo que me compõe:
Ele me dá vontade de viver,
sentimentos,
e transforma o olhar em compreensão,
sem nem saber que o faz

Ah...
Descobri hoje que para se apaixonar basta existir!
que para se ter amigos basta colecionar momentos e guardá-los
[em um álbum de fotos
que para sonhar basta ter um coração que bate

Mas hoje eu também descobri que para chorar basta se apaixonar
que para sentir a solidão basta ter amigos
que para se decepcionar basta sonhar
Descobri que basta vivermos...
e que no infinito, alegria e tristeza não existem,
Rodrigo e pueira são as mesmas coisas
que no infinito, nada tudo é
porque é no infinito onde a vida se reproduz.

Hoje eu descobri o infito porque perdi alguém que amo
perdi para que o infinito me trouxesse ela devolta
e abrir denovo meu coração
Porque ele é infinito!

sábado, 8 de novembro de 2008

Sacrifício

Hoje fui esfaqueado pela incerteza,
pela cegueira de meus passos

A lâmina corre,
corre guiada pela fragilidade de meu corpo
a procura de algo sólido

É a incompreensão que a faca quer
É a ingratidão que o seu gume procura,
Não o grito de dor
Mas a serenidade do imaculado
A solidez do diamante que a vida colocou dentro de mim


E no silêncio que antecede o brilho no olhar
é possível ler:
"Turvos são nossos olhos"
escrito em sangue para os tolos
em vermelho púrpura para os anjos