terça-feira, 2 de junho de 2009

Se já acordei?
Não sei. De que me importa?
Limito-me a mandar as pernas caminharem...

Ah, e como isso me basta!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

E que se faça a luz!

Chamem Drummond para anunciar
para estagnar o trânsito
e gritar
"Um peito acaba de nascer.
Um peito puro!"

Mas, caro Drummond, não pare
Antes fosse a sua rosa...
Mas é um peito
e com ele os olhos também se abrem
Vamos, grite:
"os olhos vêem".
e o mundo começa a viver
viver às custas
do nosso recém-nascido.

Ah, Drummond, como gostaria que fosse a sua rosa que tivesse
[rasgado o asfalto
Porque aí sim:
o trânsito pararia.
Mas é uma pessoa
e o mundo não tem tempo para ela.

O trânsito volta a circular,
E nosso peito é largado ao povo
de olhos abertos

Malditos olhos, escutem.
Eu já tive ética,
Já tive perdão,
Já tive caridade;
Porque já fui um peito puro.
Agora só me resta um álbum de fotos do que já foi meu passado
Um álbum de uma única foto, rasgada e amarelada:
Esperança.

O vento passa e a carrega
devegar, como se me desse tempo de despedir:
"Que você possa parar o trânsito".

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”. - Rui Barbosa

sábado, 23 de maio de 2009

Venetian Snares




Tentando voltar com a tag de músicas, aí vai um canadense que curto muito: Aaron Funk. Com o título de "Venetian Snares" ele tem lançado suas músicas eltrônicas com um toque erudito muito diferente. Aí vai a minha preferida do álbum "Rossz Csillag Alatt Született". Se chama "Öngyilkos Vasárnap".


Pra quem quiser mais informações sobre ele, aqui vai o site: http://www.venetiansnares.com/music.php
Um passo de distância, mas o suficiente.
E o muro cresceu com 500 metros de altura

Ele se embrenha entre o abraço, as palavras, os olhares
E só deixa passar impotência

Impotência...

IMP!

...

Colo um beijo no tijolo, viro as costas e ando.
Aliás, corro.
Enquanto o infinito te engole
A ti e ao muro

Mas a tua memória é minha
e dela nenhum muro pode me separar
sim: ela é intacta.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

A lição de Adão

"Dizem que Eva foi feita da costela de Adão; não para mim. Para mim Eva foi criada do insubstituível: da alma. Sim, minha Eva foi feita arrancando minha alma. Roubado fui, e a isso não dou a mínima; até chego a pensar que minha alma era baixa mercadoria para você. Tão baixa que um dia você fugiu, esse é o problema.
Minha querida, o mundo sozinho é um lugar estranho. O céu fofo de antes ficou tão longe, as estrelas mornas se tornaram passado morto e o mais pesado é saber que aqueles que amamos precisam um dia partir. Como você.
Tudo se tornou perecível, passageiro; acho que não vale à pena amar, muito menos o meu amor por você! Não entendo, por que me abandonou? Sou amaldiçoado por amar? É isso? Prefiro ser uma pedra então, antes isso a ter o peito sempre gélido!"

Meu nome é Adão. Escrevi isso a um tempo atrás. Eu mudei, mas o mundo acredito que não, porque está forrado de pessoas como eu fora: Adão sem Eva, sem alma. Por isso, quero dizer a todos algumas coisas:

-O tempo mostra que o céu permanecerá distante pelo infinito enquanto Eva estiver longe. E esse infinito significa até onde demoramos para entender que ela não fugiu, mas que nos deu a liberdade. Eva está em tudo aquilo que conseguirmos amar.

-Amar não significa se sentir bem, nem completo. Amar é fazer-se de instrumento para que o outro possa se sentir bem e a nossa plenitude é simples consequência disso. Se um dia se sentir infeliz é porque não está amando de fato.

-Eva nos amou e continua a nos amar.

-E para terminar, saibam que tudo perece realmente, mas não para tornar nosso esfoço vão, e sim para que aprendamos a dar valor a tudo.

À minha família, ao pessoal do Centro Sumaré e a todos que me apoiaram em tempos difíceis.

sábado, 18 de abril de 2009

Bom dia!

Todos trabalhamos com objetivos. Uns mais, outros menos; mas todos precisam de um foco. Não exatamente para poder alcançar algo na vida, mas porque é uma necessidade humana: não conseguimos aceitar a vida simplesmente como um mar que guia o nosso barquinho à deriva.
Entretanto, aos recém completados 21 anos de idade, posso dizer que só isso não me basta. Não me basta porque percebi a engenhosidade da coisa: trabalhar, missão cumprida e lá vem denovo a necessidade de uma nova meta. É a depressiva pergunta "até onde isso vai durar?!". Depressiva porque a rotina nos enfadonha; a mim e a todo ser humano deste planeta.
O que falta é perceber a real regra do jogo: a felicidade não é tão manipulável como imaginamos. É humildade para aceitar o fato de que a vida é para ser vivida. Não como o carpe diem propõe, mas reconhecendo nossos limites. É parar para simplesmente notar como uma simples noite estrelada pode nos fazer feliz. E ela está lá em cima sempre! Da mesma forma com que a vida inteira se extende diante de nós e nos diz: "lhe darei o maior presente de todos, a chance de acordar a cada manhã". E do acordar criamos a chance de fazer diferente, a criatividade para tornar cada dia único e deixar que o amor, com suas carícias e dores, nos diga o que é felicidade, não que nossos objetivos mesquinhos o façam.

sábado, 28 de março de 2009

Curioso adeus

Um mês sem postar nada? Bem, os fatores são diversos. Posso dar a desculpa da falta de tempo, mas acho que ela já está muito manjada. A verdade é que passei por um tempo de muitos pensamentos, mas não conseguia concretizar nada; estava tudo uma verdadeira bagunça. Acho que ainda continua, mas existem certos momentos que parecem nos dar uma luz de como organizar tudo isso. Por isso adoro escrever aqui, é a chance de aproveitar esses segundos preciosos de inspiração e jogar pra fora um pouco da poeira acumulada nesse interim.


Tenho um filho chamado Rodrigo. Lembro-me ainda como se fosse ontem a época em que podíamos andar de mãos dadas sem constrangimento. Lembro de tudo; até da maneira como ele sorria quando lhe abria os braços para fazer um "upa". Ele me contaminou com a beleza do olhar que só as crianças conseguem ter: o mundo é uma eterna novidade. E como essa frase fazia sentido quando estava contigo. Sabe, Rodrigo, nós adultos desaprendemos a perguntar. Tudo é estático e dispensa respostas. Por isso sempre pensei que crescer fosse a maldição da magia que desfrutamos quando pequenos. Mas você a trouxe devolta pra mim, como se tamanha tarefa fosse tão simples quanto o despertar de cada manhã.
De fato, tudo mudou quando você chegou; pela primeira vez consegui ser criança. Quando você estava comigo os problemas se transformavam em aventura, os praguejares em línguas desconhecidas e a vida em.... vida!
Mas chegou um dia em que você precisou partir. A sua liberdade era mais funda que o céu que você me ensinou a admirar e eu não podia fazer nada. Cavei incontáveis tumbas na terra, proibi os passarinhos de cantarem, renunciei a tudo aquilo que aprendi a amar; em vão. Você partiu, simplesmente.
Eu gritava "Rodrigo!" para o eco, mas nem mesmo ele me respondia. O mundo tinha parado e só eu me movia. Nada, ninguém me encarava nos olhos; nem mesmo as plantas. Fui esquecido por mim mesmo, por você.
Procurei em vão alguém que pudesse lhe substituir (Deus! Como essa palavra é pesada). Mas só encontrei cópias, vagas esperanças, falsas expectativas. Rodrigo, você é insubstituível! E o pesar dessa constatação não tinha fim.

(três pontos)

Dia. Levantar, comer, trabalhar, dormir. Dia. Levantar, comer, trabalhar, dormir. Dia. Levantar, comer, trabalhar, dormir. Mais três pontos.

Você voltou. Me cumprimentou, trocamos algumas frases e partiu.
Descobri, nesse instante o sentido do amor. É pesado, mas é belo. Belo como o sorriso que me invadiu enquanto via você se afastando no horizonte. "Vai, Rodrigo. Seja livre"

Dedico esse texto a alguém que sempre me ensinou a viver, mesmo sem saber.
Obrigado.