sábado, 2 de fevereiro de 2008

O que sei sobre a vida?

Este trecho faz parte do livro "O vermelho e o negro". Achei-o particularmente criativo e achei que seria uma pena deixar de compartilhá-lo, principalmente porque ele cutuca indiretamente o âmago de nosso conhecimento: que sei eu sobre a vida? Eis o trecho:

"Uma efêmera (mosca) nasce às nove horas da manhã nos longos dias de verão, para morrer às cinco horas da tarde; como haveria ela de compreender a palavra noite?"

O que nos diferencia dessa mosca, que nunca poderá compreender a palavra "noite"? Será que também somos capazes de compreender o que significa a vida em sua totalidade? Vida carrega um significado muito mais profundo do que um simples sinônimo para a palavra existência e, infelizmente, o homem moderno esqueceu-se disso. Ele, a partir de uma super valorização da ciência, acredita compreender completamente o mundo e a si mesmo, demonstrando por A mais B que o ser humano é um agregado de moléculas de DNA, etc. Somos moscas que acreditam saber o que é noite após um minucioso estudo da órbita terrestre e que descobriram que a partir das 20h a luz solar será interrompida em parte do mundo. Isso não é conhecer o que é a noite, da mesma forma que o que temos feito até então não é conhecer o que é a vida. Só a compreenderemos vivendo, tendo humildade para evitar um ceticismo prepotente e perguntando-nos sempre: quem sou, de onde eu vim e para onde vou. Quem sabe assim, mesmo estando escrito no roteiro que nascemos às nove horas da manhã e que morremos às cinco horas da tarde, tenhamos força o suficiente para alçarmos vôo até o leste e ver o sol se pôr.





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Limitações devem ser encaradas como obstáculos, nunca como barreiras. Se deixarmos o roteiro dizer quem somos nunca poderemos vislumbrar o céu noturno, descobrir o que a vida significa; o conhecimento de si próprio é a maior conquista que podemos ter.


2 comentários:

Eric disse...

Texto meio socrático: não acho que seja necessário perguntar-se sempre "quem sou, de onde vim, de onde vou?", porque supondo que a resposta de cada indivíduo venha conforme suas experiências, é bem possível que ele pense naturalmente nisso quando acontecer. Na verdade, não que eu esteja discordando, mas no texto parece um pouco mais forçado, menos natural! E o ser humano não é um aglutinado de DNA? Se ele é mais do que isso, é outra questão.
Texto legal!

Rodrigo Diana disse...

Eric,
só acho que não devemos esperar para pensar a respeito dessas questões. Muitas pessoas param para refletir sobre o assunto apenas no final de suas vidas. O que vc faz da sua existência, o seu objetivo de vida está fortemente ligado às respostas de tais perguntas; não gostaria que ninguém trocasse grandes feitos por simples roteiros, entende?

Valeu pelo comment!
abraço!