sábado, 28 de março de 2009

Curioso adeus

Um mês sem postar nada? Bem, os fatores são diversos. Posso dar a desculpa da falta de tempo, mas acho que ela já está muito manjada. A verdade é que passei por um tempo de muitos pensamentos, mas não conseguia concretizar nada; estava tudo uma verdadeira bagunça. Acho que ainda continua, mas existem certos momentos que parecem nos dar uma luz de como organizar tudo isso. Por isso adoro escrever aqui, é a chance de aproveitar esses segundos preciosos de inspiração e jogar pra fora um pouco da poeira acumulada nesse interim.


Tenho um filho chamado Rodrigo. Lembro-me ainda como se fosse ontem a época em que podíamos andar de mãos dadas sem constrangimento. Lembro de tudo; até da maneira como ele sorria quando lhe abria os braços para fazer um "upa". Ele me contaminou com a beleza do olhar que só as crianças conseguem ter: o mundo é uma eterna novidade. E como essa frase fazia sentido quando estava contigo. Sabe, Rodrigo, nós adultos desaprendemos a perguntar. Tudo é estático e dispensa respostas. Por isso sempre pensei que crescer fosse a maldição da magia que desfrutamos quando pequenos. Mas você a trouxe devolta pra mim, como se tamanha tarefa fosse tão simples quanto o despertar de cada manhã.
De fato, tudo mudou quando você chegou; pela primeira vez consegui ser criança. Quando você estava comigo os problemas se transformavam em aventura, os praguejares em línguas desconhecidas e a vida em.... vida!
Mas chegou um dia em que você precisou partir. A sua liberdade era mais funda que o céu que você me ensinou a admirar e eu não podia fazer nada. Cavei incontáveis tumbas na terra, proibi os passarinhos de cantarem, renunciei a tudo aquilo que aprendi a amar; em vão. Você partiu, simplesmente.
Eu gritava "Rodrigo!" para o eco, mas nem mesmo ele me respondia. O mundo tinha parado e só eu me movia. Nada, ninguém me encarava nos olhos; nem mesmo as plantas. Fui esquecido por mim mesmo, por você.
Procurei em vão alguém que pudesse lhe substituir (Deus! Como essa palavra é pesada). Mas só encontrei cópias, vagas esperanças, falsas expectativas. Rodrigo, você é insubstituível! E o pesar dessa constatação não tinha fim.

(três pontos)

Dia. Levantar, comer, trabalhar, dormir. Dia. Levantar, comer, trabalhar, dormir. Dia. Levantar, comer, trabalhar, dormir. Mais três pontos.

Você voltou. Me cumprimentou, trocamos algumas frases e partiu.
Descobri, nesse instante o sentido do amor. É pesado, mas é belo. Belo como o sorriso que me invadiu enquanto via você se afastando no horizonte. "Vai, Rodrigo. Seja livre"

Dedico esse texto a alguém que sempre me ensinou a viver, mesmo sem saber.
Obrigado.

Um comentário:

Jaqui disse...

"garçon" contagiante, inesquecível e especial.. sim seja livre, o mundo é o limite nao tem fim, continue assim... mas sem esquecer os valores daquela pessoa especial que te ensinou a viver...e
always enjoy it !! nesse mundo tao redondo!!!